segunda-feira, 20 de maio de 2013

BORRACHA - atrai nordestinos

A Amazônia é novamente descoberta como fonte de imensa riqueza na metade do século XIX. 
Encerrado o Ciclo do Ouro, tem início o Ciclo da Borracha que representa um dos maiores processos migratórios da região. 
Através dele vieram para região milhares de nordestino expulsos pela seca de 1877
O Primeiro ciclo que resultaria mais tarde na Guerra do Acre (1903) e possibilitaria no segundo ciclo, a criação do Território de Guaporé (1943).

Em sua primeira fase (1911-14), o Brasil ocuparia a posição de maior produtor de borracha silvestre do mundo tendo como concorrente seu vizinho, a Bolívia. 
Esta república tinha uma grande desvantagem em relação ao Brasil, seus seringais ficavam na parte oriental dificultando o escoamento do produto para o Oceano Atlântico. 

Em 20 de abril de 1867, Brasil e Bolívia assinam o Tratado de Amizade, Limites, Navegação, Comércio e Extradição; assim começa o processo que desencadearia mais tarde a construção de uma estrada de ferro ligando o Madeira ao Mamoré, um projeto boliviano.
Mesmo assim, a proximidade destas duas potências produtoras de látex – matéria-prima da borracha – na mesma região, onde futuramente seria o Acre, daria origem a Guerra do Acre, liderada pelo ex-major do Exército Plácido de Castro. 

Com a vitória do Brasil, nessa luta, a região passa a fazer parte do nosso território e novamente é assinado um tratado com a Bolívia, o Tratado de Petrópolis (1903), e o Brasil assume a responsabilidade de continuar a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

2ª Guerra

O Brasil perdeu sua supremacia como produtora de borracha para as colônias inglesas na Ásia, terminando assim o primeiro Ciclo da Borracha. 
Em 1942, durante a 2ª Guerra Mundial, inicia o segundo Ciclo da Borracha. 
Os Estados Unidos impossibilitados de alcançar os seringais asiáticos, redescobrem a Amazônia. 
Eles necessitavam desse produto para a produção dos pneus utilizados nos veículos na frente de combate. 
Brasileiros, principalmente, os do Nordeste, são atraídos para lutar na “Guerra Verde”, na Amazônia. 
O inimigo armado não existia, na verdade a luta era contra as doenças tropicais e os maus tratos do governo.
O Brasil volta a posição de maior produtor de borracha do mundo, com a assinatura do tratado de Washington (1941), firmado entre o Brasil e Estados Unidos, durante o Governo de Getúlio Vargas. 
Este fato proporcionou o retorno populacional e um grande impulso econômico
Esse pedaço da Amazônia voltava a despertar interesses internacionais, mas, com o fim da 2ª Guerra a produção da borracha em grande quantidade para uso bélico, deixava de ser necessário, em 1950 tem fim a segunda fase do Ciclo da Borracha.

Primeiro Ciclo

A Bolívia, em 1846, necessitava da abertura de uma rota para exportar a borracha produzida, na parte oriental de seus seringais, ao Oceano Atlântico. 
Dois projetos são elaborados para solucionar este problema, 
- a primeira opção seria uma rota fluvial entre os rios Madeira e Mamoré; 
- a segunda uma ferrovia que seria construída na margem direita do Madeira até a localidade de Santo Antônio.
O governo boliviano prefere a primeira alternativa e o engenheiro-militar, inglês, George Earl Church, recebe o encargo de fundar uma empresa de navegação entre os rios. 
Surge então a National Bolivian Navigation Company que não chega a ser finalizada. Os bancos da Inglaterra, financiadores do projeto, não aceitam financia-lo, eles tinham maior interesse na construção da ferrovia, um interesse profundamente financeiro, pois, a Inglaterra era nesse período a produtora mundial de vagões e locomotivas, controlando também toda a importação da borracha produzida na Amazônia. 

Têm início os projetos de construção da ferrovia que ligaria o Rio Madeira ao Mamoré. 
Esta primeira empreita seria feita ainda pelo Earl Church. 
As notícias sobre as riquezas da borracha já haviam atraído, para a região, centenas de nordestinos que invadiam até os seringais do território boliviano e não era somente esses trabalhadores que ocupavam a área, prisioneiros e exilados políticos do Brasil começavam a desbravar o local, explorando às seringueiras.

Devido à procura crescente pela preciosa matéria prima, os seringalistas passaram a exigir sempre maior produção dos seringueiros, fato que os obrigavam a trabalhar mais tempo na extração, e não podiam plantar lavouras de subsistência.

            O seringueiro ficou dependente do sistema de barracão, isto é, estava forçado a abastecer-se no barracão do seringalista. 
Este manipulava o valor pago ao extrator do látex e superfaturava os preços das mercadorias do barracão, com duplo resultado: lucros sempre maiores e endividamento dos seringueiros, que garantia a produção e ficava preso ao patrão por não conseguir nunca pagar suas dívidas.

 Os seringalistas tinham suas fontes de abastecimento em Manaus e Belém, e os alimentos eram importados.
 Assim, com o fim do Ciclo da Borracha, toda essa imensa multidão de trabalhadores foi entregue à própria sorte. 


Atividades
       1.       Quais foram os primeiros imigrantes que chegaram para o surto extrativo da borracha ?
       
       2. Como ficou a situação do Brasil na segunda Guerra Mundial na produção da borracha?

       3.Com a redescoberta da Amazônia pelos americanos, qual foi o produto por eles procurado? e para qual finalidade?

      4. O que era o sistema de Borracão?

      5. O que aconteceu à multidão de trabalhadores dos seringais quando, devido ao preço internacional da borracha, não interessava mais ao seringalista continuar a produção?


Sugestão de vídeos:
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http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142002000200003&script=sci_arttext
http://sociedadepovos.blogspot.com/2011/02/o-brasil-e-sua-economia-economia-na-era.html
http://pro.casa.abril.com.br/group/cronicasdoouroverde/forum/topics/ciclo-da-borracha-na-amazonia
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-economia/2011/05/31/internas_polbraeco,254623/dinheiro-facil-atraia-seringueiros-nordestinos-a-amazonia-apos-a-2-guerra.shtml
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